O MEDO E OS CAMINHOS QUE DEIXAMOS DE VIVER
O medo pode nos roubar algumas das melhores experiências da vida. Não porque ele tenha o poder de nos impedir, mas porque, muitas vezes, permitimos que ele decida por nós.
Quantas oportunidades deixamos passar por medo de perder? Quantas vezes desistimos de tentar, de mudar, de partir ou de começar algo novo porque as circunstâncias do presente parecem maiores do que a nossa coragem?
O medo sempre terá argumentos convincentes para nos manter onde estamos. Ele nos apresenta todos os riscos, todas as dificuldades e tudo aquilo que pode dar errado.
E então surge uma pergunta que pode nos acompanhar por muitos anos:
E se eu tivesse feito? E se tivesse escolhido outro caminho?
Não estou dizendo que não existem consequências. Toda escolha tem seu preço, e isso faz parte da vida. Mas existe uma diferença entre reconhecer os riscos de uma decisão e permitir que o medo nos impeça de viver.
Quero compartilhar uma experiência minha.
Um dia antes do meu casamento, pensei em desistir. Cheguei a conversar com minha mãe sobre não comparecer à cerimônia. Ela me aconselhou, e acabei me casando.
Vivi 29 anos de casamento. Meu ex-marido foi um bom marido e um bom pai. Mais tarde, por questões pessoais, nossos caminhos se separaram. Dois anos depois, ele faleceu. Que Deus o tenha em sua paz e luz.
Mas, ao olhar para trás, às vezes penso: e se eu não tivesse me casado? Que outros caminhos teria percorrido? Será que teria começado a escrever mais cedo? Quantas experiências diferentes teria vivido?
Não são perguntas para lamentar o passado, mas para compreender algo: as escolhas que fazemos também constroem os caminhos que não chegamos a conhecer.
E sabe o que aprendi?
Não podemos passar a vida inteira presos ao talvez.
Aos 51 anos, recomecei. E descobri que nunca é tarde para se encontrar, reconhecer seus sonhos e viver uma vida que tenha sentido para você.
Problemas, dificuldades e decisões sempre existirão. A diferença está em quem conduz a nossa caminhada: o medo ou a nossa consciência?
O medo pode ser um alerta, pode nos ajudar a avaliar os riscos e agir com prudência. Mas não deve ser o senhor das nossas escolhas.
Uma coisa é sentir medo e seguir com coragem. Outra é entregar a vida ao medo e deixar de viver.
Na época em que o medo tentava me dominar, encontrei inspiração no poema Invictus, de William Ernest Henley, que também inspirou Nelson Mandela durante seus anos de prisão.
Quero deixar essa inspiração como um presente para vocês, meus queridos leitores:
INVICTUS
Da noite escura que me cobre,
Como uma cova de lado a lado,
Agradeço a todos os deuses
A minha alma invencível.
Nas garras ardis das circunstâncias,
Não titubeei e sequer chorei.
Sob os golpes do infortúnio
Minha cabeça sangra, ainda erguida.
Além deste vale de ira e lágrimas,
Assoma-se o horror das sombras,
E apesar dos anos ameaçadores,
Encontram-me sempre destemido.
Não importa quão estreita a passagem,
Quantas punições ainda sofrerei,
Sou o senhor do meu destino,
E o condutor da minha alma.
Meus queridos, não permitam que o medo escreva a história que pertence a vocês.
Tenham coragem de aprender com os erros, de mudar de direção e de recomeçar quantas vezes forem necessárias.
A vida não nos oferece garantias, mas nos oferece possibilidades. E algumas delas só descobrimos quando temos coragem de dar o primeiro passo.
Não espere chegar ao fim da estrada para descobrir quantos caminhos deixou de percorrer por medo.
Com carinho,
Kristiane Nogueira
Autora e Escritora
Prosperidade sempre! ✨
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